__Oi mãe!
Ela entrou em casa sorrindo, como se acabasse de voltar do paraíso, Doutorzinho medíocre e idiota, iludindo a minha mãe... Ela com aquele ar de quem acabou de sair do filme “Uma linda mulher” disse:
__Oi querida, como foi seu dia?
Só que em uma linda mulher, a garota era uma prostitua, e minha mãe não era uma prostituta, que raiva, fui totalmente direta, não agüentava mais:
__ótimo, é muito legal saber que sua mãe está te traindo, e te escondendo que anda aos beijos com o Dr. Howell!
Ela ficou séria, abriu a boca várias vezes e não conseguiu dizer nada, levantei e fui direto para meu quarto, estava sentindo nojo daquilo tudo, minha mãe poderia ao menos ter arrumado alguém mais velho ou ter me contado, me sentia traída, estava com vontade de gritar quando ela abriu a porta e veio falando:
__Querida, desde que seu pai e eu não estamos mais juntos, eu nunca me envolvi com ninguém, me foquei no trabalhando visando o melhor para nós duas, mas eu me sentia infeliz, eu também tenho o direito de me divertir e encontrar alguém especial, e Lucas é esse alguém.
Blá, blá, blá, que ódio. Olhei para ela e fui logo dizendo:
__É, só que EU sou sua filha, e você nem se deu ao trabalho de me contar, se eu não tivesse visto aquela cena ridícula entre você e aquele idiota Deus sabe quando você me contaria, primeiro papai vai embora com aquela loira de farmácia ridícula mais nova que ele, agora você anda se agarrando com um babaca que acabou de se formar e se tornou médico naquela droga de clinica.
Ela perdeu a paciência e falou:
__Eu não lhe dou o direito de ofender as pessoas que gosto, assim como não ofendo as pessoas que você gosta, sim ele é mais novo que eu, e que preconceito ridículo é esse? Não foi isso que lhe ensinei claro que foi difícil se conformar em relação ao seu pai, porém ele era casado quando ele se envolveu com aquela garota, eu sou completamente desimpedida assim como o Lucas é, seria muito bom que você colaborasse, mais se não colaborar vai ter que se acostumar com a idéia.
Acostumar com a idéia? Preconceituosa? Ela é minha mãe, não poderia fazer isso comigo, então ela saiu do quarto e fechou a porta, coloquei meus fones no ouvido e fiquei no universo de Paramore.
Ao acordar percebi que kris ainda estava em casa, hoje não tinha aula, então desci lentamente para tomar um café, o telefone tocou, corri para atender, quase deixei o aparelho cair quando ouvi uma voz que pensei que já havia esquecido:
__Olá! Gostaria de Falar com Meg Lyson.
Totalmente nervosa disse:
__Sou eu, quem gostaria?
Ele ofegou então respondeu:
__Eh... Sou eu Jason, papai...
Não acreditei nas palavras que acabara de ouvir, não me contive:
__Papai? Você some por anos, sem ao menos dizer se está vivo ou morto e se identifica como meu pai?
__Eu sei querida, desculpe, eu errei mais...
__Errou? Errar é pouco para o que você fez você tem noção de quanto eu sofri, de quantas noites chorei chamando o seu nome sem saber quando o veria novamente? Trocar uma família assim não é errar, é muito pior, ver minhas amiguinhas da escola saindo e se divertindo com a família e eu não ter alguém pra chamar de pai foi muito doloroso, nunca vou te perdoar por isso! Mas pra você ligar significa que precisa de algo, o que você quer?
__Bem, a Elisa e eu nos separamos, e ela acabou me deixando na miséria, eu pensei que talvez você pudesse me ajudar...Não tenho ninguém além de você agora!
__Ah agora você não tem alguém além de mim, mas antes não precisava da sua filha porque Elisa estava com você, muito bem, agora é tarde!
Desliguei o telefone, me senti desabando, muitas informações para processar, meu primeiro beijo com Rob, descobrir que minha mãe está saindo com um cara mais novo e meu pai do nada me liga pedindo ajuda.
Oh Deus, o que eu faço? Não sei nem o que pensar, antes de meu pai nos largar, eu era muito ligada a ele, mas depois foi terrível conviver com meus colegas, sabendo que minha família agora era só eu e Kris, mas pensando por outro lado, ele precisa de ajuda, por mais que tenha me feito sofrer, ele precisa de mim e talvez eu agora seja a única coisa que ele tem como dizia vovó “Sempre pague o mal com bem”, por mais complicado que seja eu acho que devo ajudar meu pai, nossa, tenho que ser madura o bastante para digerir tudo isso.
Acordei cedo, era feriado, não tinha aula hoje, porém já estava habituada a acordar cedo, tomei um copo de suco de laranja, troquei de roupa e fui para o computador, um desejo veio sobre mim, desejo de saber a verdade, não resisti e comecei a pesquisar novamente sobre os Goldman, no blog da escola, achei a antiga turma de Rob, e realmente Rachel era extremamente linda, comecei a ver as fotos dos alunos, com seus nomes, telefones e endereços, no de Rachel dizia o ano que nasceu e a data que faleceu, mas não foi isso que me deixou nervosa, ao lado da foto dela havia outra de um garoto, muito bonito por sinal, louro de olhos castanho esverdeado, com uma expressão séria passava uma sensação de segurança, mais o que me deixou sem reação foi que no pulso dele existia uma cicatriz com nome Rachel escrita, e embaixo da foto seu nome me fez estremecer ao ler, Sam Drug.
Mal me recuperei do choque, ouvi o telefone tocar, eu estremeci novamente ao ouvir aquela voz, fui logo dizendo:
__Hoje no shopping do centro da cidade, as 16:00h.
Meu pai sem ao menos esperar um segundo disse:
__Ok! Não vou me atrasar, prometo!
Resolvi que vou tentar ajudar meu pai, eu disse tentar porque não sei o que está realmente acontecendo, e não quero me precipitar e não conseguir cumprir o que eu digo. Rob me ligou hoje, avisando que iria passar o final de semana fora, pois foi visitar o avô, eu sentia falta dele, em meus lábios a sede fazia meu coração acelerar dolorosamente, coloquei um biquíni e tentei me distrair na piscina, era incrível como não conseguia relaxar, agora entendia ao quadrado o significado da palavra problema, ou melhor, problemas, foi quando lembrei de algo que tinha que resolver eu me lembrei da porta do quarto lilás, então tive uma idéia, sim, as vezes eu tenho idéias ,nossa, como fui tão absurdamente burra! Peguei a lista telefônica e encontrei o número de um chaveiro, liguei e em quinze minutos ele apareceu na minha casa, mostrei a porta, o chaveiro analisou, usou uns instrumentos estranho e disse que em vinte dias eu poderia ir à sua loja buscar a chave, eu agradeci e ele foi embora.
Kris estava em casa, mas eu ainda fingia que não a via, estava ainda inconformada com seu namoro babaca, passei por ela olhando para o teto, me arrumei, peguei dinheiro e fui almoçar no shopping.
Assisti um filme qualquer para passar o tempo no cinema, admito que era um filme água com açúcar, e que nem sei o nome dos protagonistas, quando vi que eram 16:00h corri para a praça de alimentação para esperar meu pai.
__Oi querida!
Ele disse para mim me dando um susto, quando eu estava completamente distraída roendo as unhas, tentando ser gentil eu respondi:
__Eh...Oi, bom eu estou um pouco sem tempo, podemos partir logo para o assunto?
Por que ó Deus que existe no céu, eu não consigo ser gentil? Tinha que ir logo atacando desse jeito, minha vontade era de sair correndo, mas antes que tomasse qualquer iniciativa ele disse:
__Bom, durante esse tempo eu curti a vida, fiz besteiras e peço perdão por tudo, sei que lhe abandonei e sofro com isso todos os dias, nunca deixei de te amar, e você ainda é a coisa mais preciosa que tenho.
__Desculpe pai, mais você não tem! Você já me teve, sinto muito, você já me perdeu há muito tempo, e por falar nisso como anda aquela vagabunda que você casou?
Não consegui deter minha língua, estava ficando nervosa e ele falou:
__Ela me largou há alguns meses, na verdade estou com um problema bem grave, fico constrangido de falar sobre isso com você.
Constrangido? Por favor, constrangida estou eu de ter que olhar para ele depois de tudo que passei:
__Anda logo pai, pode falar, de você acho que nada mais me surpreende.
__Bom...Eu, eu estou, quero que você saiba que é por extrema urgência que estou lhe pedindo ajuda e falando isso, mas eu estou, com AIDS!
O que? Senti minhas pernas tremerem, e só ouvi o barulho do meu copo de suco caindo no chão.
__Como assim? Não acredito que idiotice é essa? Quantos anos você tem? 18? Você já é bem grandinho para se cuidar, não acha?
__Não foi culpa minha, eu estava casado com a Elisa e não sabia que ela estava me traindo, aconteceu e eu estou com medo.
Então foi a loura aguada que passou HIV, nojenta desgraçada, sem mais pensar fui dizendo:
__Você devia saber com que tipo de gente você estava se metendo quando se casou com a primeira piranha que encontrou na rua, seu irresponsável que ridículo, ao invés de você estar me ensinando algo, ou me corrigindo, quem está fazendo o papel de mãe aqui sou eu, nunca pensei que passaria por isso, que vacilo pai! Transar sem camisinha com uma garota indigna de confiança e não me venha dizer que achava que ela era fiel, por que ela era casada também com um velho tolo igual ao senhor quando você casou com aquela coisa.
Ele pareceu saber que tudo que eu falei era verdade, e não disse uma palavra por alguns minutos, até que tentando ser pratica eu falei:
__Ta! Ao menos me diga que procurou um médico, um especialista no assunto!
Ele rapidamente respondeu:
__Sim claro, por isso estou aqui, vou fazer tratamento numa clinica nessa cidade, mais ele disse que vai ser difícil e me aconselhou a me aproximar de meus familiares para buscar apoio, por isso estou aqui, queria que você fosse me visitar durante o tratamento, aqui está o cartão da clinica com endereço, e-mail e telefone, por favor, diga que vai me visitar, isso me daria esperanças!
Peguei o cartão, era lilás e tinha as palavras escritas em dois tons mais fortes que o do cartão, então eu guardei no bolso e tentando parecer tranqüila disse:
__Ok! Prometo que vou lhe visitar.
__Você pode aparecer todas as terças feiras depois das 14h.
Ele beijou minha testa e foi embora.
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