__Você se sente feliz?
Não entendi o motivo da pergunta, tentei dar a resposta mais obvia que veio em minha mente:
__Sim, esse lugar é lindo.
Ele puxou meu rosto para poder olhar em meus olhos fazendo minha respiração ofegar e falou:
__Não estou falando disso...
Não permiti que ele terminasse. Como ainda havia dúvida? Me senti ofendida e o cortei com palavras:
__Quantas vezes vou ter que te dizer Robert Goldman que não vou te abandonar? Não acredito que você ainda vai insistir nessa história, eu não ligo pros outros, eu vou continuar com você.
Ele respirou fundo e continuou:
__Não estou falando disso também Meg, estou perguntando em relação a nós dois, você se sente feliz comigo?
Não acreditei que ele estava me perguntando isso, tentei dizer apenas um sim e fugir, porém não ia adiantar estava na hora de assumir e admitir meus sentimentos sabia que chegaria esse momento e chegou:
__Rob, quando estou perto de você mal consigo falar frases com nexo, quando você sorri me perco em seu sorriso e é como se só existisse você no mundo, no momento em que mergulho em seus olhos não escuto nem vejo nada além de você, e quando você vai embora uma dor domina não somente meu corpo, mas minha alma também, sim, eu me sinto completa e feliz com você, a única maneira de me sentir infeliz e incompleta é quando você não está comigo, e fico desesperada só de imaginar as horas que fico sem te ver.
Baixei os olhos, tentando desviar seu olhar, mas ele não permitiu puxando meu rosto de novo e falando as palavras que nunca desejei ouvir, até conhecê-lo:
__Meg, eu... Eu amo você!
Senti uma lágrima descer de seus olhos, ele estava chorando? Rapidamente ele esfregou os olhos e prosseguiu:
__Nunca senti isso por ninguém antes, é muito difícil pra mim entende? Eu jamais me aproximei tanto de alguém como me permiti com você, estou envolvido demais para voltar atrás agora, não existe um segundo em que meu pensamento não esteja em você querida, sinto sua falta até quando lhe deixo na porta de sua sala.
Como que involuntariamente, toquei seu rosto com minha mão, ele aproximou o corpo encostando seus joelhos nos meus, senti seus dedos se entrelaçarem junto ao meu cabelo, enquanto a outra mão estava ocupada deslizando por minhas costas, ele encostou seus lábios quentes em meu rosto, e desceu por minha nuca, fechei os olhos me perguntando se estava sonhando, Rob sorriu, e olhou em meus olhos, senti seus lábios chegarem aos meus, e delicadamente abrindo minha boca ele me beijou, eu não sabia o que fazer, estava totalmente agindo por emoção, de repente senti aquela sede de novo, eu queria mais, meu coração acelerou da mesma forma que o beijo se tornou mais intenso, Rob agora soltou meu cabelo e acariciou meu queixo, enquanto eu tirei a mão de seu rosto e envolvi seu pescoço com meus braços, e então o ritmo foi diminuindo e ele separou sua boca da minha, pensei por segundo se ele havia se arrependido, mais seu corpo não desgrudou do meu, continuamos abraçados como se fossemos um só, ele afastou meu rosto para poder me olhar, e a única coisa que veio em minha mente eram três palavras que me dominavam e então como se pudesse ler meus pensamentos ele sussurrou em meu ouvido:
__Eu também amo você meu amor.
Eu sabia que logo teria que ir para casa, porém queria ficar com ele para sempre, fiquei feliz por saber que Kris não estava em casa, ontem me falou que precisava comprar algumas coisas para casa e que almoçaria fora, então não ficaria braba com a minha demora, eu brincava com o cabelo de Rob quando ele puxou minha mão e disse:
__Por que você não almoça comigo hoje? Assim poderíamos passar a tarde inteira juntos.
Ele terminou sua frase com um sorriso, o que me deixou encantada, um pouco sem graça respondi:
__Não sei, eu tenho que fazer algumas coisas em casa, meu quarto precisa de uma faxina.
Ele mordeu o lábio e falou:
__Talvez eu pudesse ajudar você! A arrumar as coisas é claro.
Fiquei confusa:
__Como assim? Desculpe mas eu achei que talvez, você se sentisse... um pouco... Desconfortável com essa situação.
Ele ficou sério:
__Sim, mas está na hora de enfrentar isso, ao seu lado é o único jeito de conseguir.
Eu o fitei, estaria mesmo ele falando sério? Disse:
__Ok! Mas você pode ir embora à hora que quiser.
Ele assentiu com a cabeça, e caminhamos até o carro, não falamos muito, apenas ouvimos a música que estava tocando, de uma banda que eu não conhecia, ele dirigia devagar, e às vezes com uma mão só, enquanto a outra pousava sobre a minha ou acariciava meu cabelo.
Quando nós chegamos, eu disse que ele não precisava fazer aquilo, ele apenas disse que queria e abriu portão, percebi que Rob respirou fundo enquanto caminhava, eu abri a porta e ele entrou na antiga casa dele a atual minha.
Fui para cozinha preparar uma lasanha, ele me seguiu e sentou na cadeira mais próxima, fiquei pensando se devia ou não falar alguma coisa, eu optei pelo silencio, era a opção mais fácil, eu realmente não acreditava no que estava acontecendo comigo, eu amava Rob e ele estava sentado na cadeira da minha cozinha me observando fazer comida, tentei parar de pensar nisso, se não acabaria errando tudo e trocando o sal pelo açúcar, coloquei a lasanha no forno, e senti os braços dele me envolverem, ele colocou as mãos em minha cintura eu disse que tinha muita coisa para fazer, ele sorriu e beijou minha testa.
Subi as escadas correndo e entrei no meu quarto, que estava horrivelmente desorganizado, senti vergonha do estado dele, comecei dobrando os cobertores, abrindo as cortinas, varri o chão enquanto ele ajeitava meus livros, fiquei surpresa quando ele pegou um e se sentou na cama e começou a ler, sentei do seu lado o observando, ele lia Pollyanna, um dos meus clássicos favoritos, me levantei e continuei arrumando tudo, desci as escadas para tirar a lasanha do forno, coloquei os pratos, talheres, copos e guardanapo, quando resolvi chamá-lo me deparei com ele me abraçando, nós comemos conversando pausadamente sobre o livro, a cada gole de coca eu me perguntava quando ia despertar daquele sonho, para ser sincera ele pareceu muito tranqüilo e natural diante da casa, achei que seria mais doloroso, porém ele agia como se nada o perturbasse, e fiquei aliviada com isso, eu lavei a louça e ele secou, fomos assistir um pouco de TV, devia estar passando um seriado típico americano, porém não prestei atenção, não conseguia desviar os olhos de Robert, mas as horas foram passando e ele precisava ir embora, me deixou com uma dor no peito, uma dor que eu aprendera o nome, se chamava saudade, deitei no jardim sozinha para observar as estrelas.
Kris estava demorando muito, três horas a mais do que o habitual, eu fiquei preocupada, e mais ainda quando ela desceu de um carro prata, corri para o portão para ver quem era e levei um choque quando o reconheci, o Dr. Howell, com aqueles cabelos louros e dentes brancos perfeitamente alinhados, eles não me viam, pois me escondi a trás da árvore que Kris plantou assim que nos mudamos, quase entrei em choque quando os vi se beijando, como assim? Desde que ela e meu pai se separaram minha mãe nunca namorou mais ninguém, tinha jurado que não se envolveria e apenas se dedicaria a seu livro e a mim, e hoje a vejo beijando um médico mais jovem que ela, que mais parecia um modelo de cuecas, precisava ter uma conversa séria com ela, dessa vez seria séria mesmo.
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