Fiquei respondendo perguntas, tentando ser educada por umas duas semanas, não agüentava mais ouvir a palavra mar, mais uma coisa não saia da minha cabeça, que garoto era aquele que me salvara, por que não me ligou ou me procurou para saber como eu estava eu queria poder olhar para ele novamente, tinha muitas duvidas a esclarecer, eu estava no meio da aula de química quando Dennis me jogou uma bolinha de papel, eu abri cuidadosamente para ninguém perceber e numa letra que mais parecia um código pude decifrar:
Que sorte o Goldman estar na praia sábado né? Todos nós achamos estranho, ninguém viu de onde ele apareceu, só o vimos quando trouxe você da água e a colocou sobre a areia.
Eu acho que empalideci, pois Dennis ficou apavorado com minha expressão, milhares de coisas surgiram em minha mente, Robert Goldman,
ele me espionou quando eu estava na piscina, o único sobrevivente da mansão Goldman, foi ele quem leu o livro de Kris na biblioteca, e foi ele quem me salvou. Já não estava entendendo mais nada, fiquei tão confusa que senti minhas mãos tremerem, assim que o sinal tocou corri para o banheiro, lavei o rosto com água fria, não sabia o que fazer, ou se devia contar para alguém, eu comecei a repassar cada lembrança do dia em que me afoguei, eu lembrei de não conseguir falar, mais lembrei de ouvir a voz dele, era uma voz grave, bonita porem um pouco sinistra, ele respondia meus pensamentos como se tivesse capacidade de ouvir tudo o que eu pensava mais isso poderia ser fruto da minha imaginação é claro, eu não estava muito bem mentalmente, eu poderia pensar que não conseguia falar, mais conseguia, já tinha lido isso num dos meus livros preferidos A marca de uma lágrima, fugi do raciocínio assim que ouvi Amanda me chamar:
__Oh! Aí está você, te procurei por toda parte, você está bem?
Eu precisava mentir, seu eu constasse tudo isso a alguém, iriam me internar no hospício mais próximo, o que de certa forma devia ser a coisa certa a fazer, já que eu realmente acho que estou louca! Tentei fazer uma cara despreocupada e lhe respondi:
__Sim!Sim! Vamos para o pátio?
Ela concordou, e seguimos para fora do banheiro.
Sentamos em um banco, eu não estava com fome, então fiquei esperando Amanda, Marck, Dennis, Anna e Sophie pegarem algo para comer, e comecei a olhar tudo, sem me levantar, apenas com os olhos, tentei procurar Robert em todos os cantos que minha visão alcançava, e encontrei, ele estava sentado na grama, deslizando os dedos por uma flor, parecia uma margarida, estava de óculos,me impossibilitando de mergulhar nos seus lindos olhos verdes, ele percebeu que eu estava o olhando, e me fitou por traz dos óculos, senti ser totalmente analisada, como num exame de raio x, desviei os olhos tentando contar até dez, para me distrair, ele pareceu perceber, e deu uma risadinha... Uma risadinha? Robert Goldman me deu uma risadinha? Agora mesmo eu devia estar maluca, até vendo coisas eu estava, fui pega de surpresa quando Anna deitou no meu colo e disse que eu estava bonita, eu agradeci totalmente sem jeito, e passei minhas mãos em seu cabelo, todos chegaram e sentaram no banco comigo, estavam falando de futebol e discutindo sobre times, eu não conseguia prestar atenção, estava ocupada, tentando me controlar para não olhar para o ser mais estranho, mais sinistro, e lindo que tinha visto em toda minha vida, _Como eu estava melosa hoje!_pensei fazendo uma careta de desaprovação.
Depois da aula senti que eu precisava contar para alguém o que estava acontecendo, alguém tinha que acreditar em mim, foi quando olhei Amanda, com seus longos e lisos cabelos castanho escuro, rabiscando um caderno com capa roxa, sentada na escada da porta da escola, ele me olhou com seus olhos verdes claríssimos, e me chamou, sentei ao seu lado e ela me perguntou como eu estava me sentindo, disse que apesar de não sermos tão unidas percebeu que eu estava diferente, disse que sentiu preocupação e desespero em mim quando me viu no banheiro, achei que essa era minha única oportunidade e contei tudo, absolutamente tudo a ela, sua reação foi realmente de surpresa, mais me acalmou e me convidou para ir a casa dela assim poderíamos conversar melhor e com mais calma.
Não tinha ninguém em casa, então sentamos confortavelmente no sofá marrom da sala dela, tomamos um suco de laranja e ela me disse:
__Meg, você não pode se apavorar assim, deve haver alguma razão para Robert ter te espionado, curiosidade talvez, sei lá... Eu realmente não acredito que ele tenha matado sua família ou algo assim, e se ele te salvou significa que ele não queria que você morresse certo? E sobre seu sonho, não sei o que dizer, mais dê tempo ao tempo, se ele te olhou e deu uma risadinha no almoço hoje, é um sinal de que ele não vai te machucar, relaxa e eu garanto que nunca vou contar a ninguém o que você me falou, eu prometo!
Eu sorri e respondi:
__Obrigada Amanda, eu precisava contar isso, eu estava achando que tinha enlouquecido, sei que não temos muito contato, mais agora percebo que podemos ser amigas, e confio na sua palavra!
Me despedi e fui para casa, Kris estava no banquinho do jardim digitando e me deu um abraço apertado quando me aproximei, então uma idéia surgiu em minha cabeça foi a mãe da Sr.ª Nancy que avisou sobre a tragédia, se eu falasse com ela talvez me desse algumas respostas, desci as escadas, coloquei um moletom, beijei a testa de minha mãe e sai correndo.
Eu sabia que a senhora que entregou as chaves da casa para nós quando a alugamos era a avó de Robert eu tinha certeza disso, ela disse que qualquer problema era só chamá-la, pois ela morava a dois quarteirões do velho casarão, disse que o numero da casa era 383, e a casa dela era pequena, com janelas redondas e por fora pintada de amarelo, corri até encontrar a tal casa, contei até 15 para me acalmar e bati na porta, logo ela se abriu e uma velha senhora com aparência simpática sorrindo:
__Oi! Sou Meg, foi você que entregou as chaves do casarão 298 para minha mãe quando alugamos, gostaria de conversar um pouco com você, se não for lhe incomodar é claro!
Ela simplesmente disse que não haveria problema, que seu nome era Mery e que eu poderia entrar. Choque, medo, curiosidade, fui pega no flagra tentando investigar, sentado numa cadeira comendo bolo estava Robert, ele me olhou bem serio, parecia não estar contente com minha presença, Mery disse para eu sentar e me ofereceu bolinhos, eu sorri, recusei e agradeci, ele não disse nada, até o momento em que Mery saiu dizendo que precisava dar um telefonema, eu abaixei a cabeça, temendo que ele brigasse comigo, ou me falasse algo ruim e então ele disse serio:
__Nós dois sabemos muito bem o motivo de estar aqui, esse você quer arrancar qualquer coisa daminha vó acho melhor mudar de idéia, ela não vai falar nada, pode perder suas esperanças!
Eu não conseguia falar, me senti muito mal, quando ia tentar me explicar ele abriu a porta e falou:
__É melhor você ir agora, não vai querer que ninguém veja que você visitou a casa da avó do cara mais estranho, sinistro e maluco da escola, cuidado eu posso te atacar a qualquer momento!
Ele disse isso de uma forma arrogante e irônica, fiquei enojada com a forma que ele falou, senti lágrimas descerem por meus olhos, _Por que eu estava chorando?_ então ele me surpreendeu literalmente, pegou minha lágrima com o dedo, e passou a mão em meu rosto, mais agora com uma expressão de pena, como se ele não quisesse me ferir, mais não tinha outra opção, ele tirou a mão e falou:
__Não quis te magoar, desculpe, mais não procure saber demais, esqueça toda a historia da minha família, esqueça que eu existo, quanto menos você souber melhor e mais aliviado eu fico, é para seu próprio bem, sei que pareço um louco falando isso e que talvez você não esteja entendendo, mais apenas pare de procurar o que eu sei que vai te machucar se quer ficar segura continue sua vida normal, Meg! Quem procura acha!
Tentei argumenta, mais era impossível eu perdia as forças perto dele, ele passou a mão em meu cabelo e entro na casa de Mery e fechou a porta.
Corri como nunca havia corrido antes, meu corpo tremia de medo, e minha mente dizia para mim me afastar o mais rápido que podia, mais meu coração falava para eu voltar e abraçar Rob, eu estava tão assustada que tropecei numa pedra e cai.
__Droga!
Eu disse brava quando vi que ralei o joelho, levantei olhei para os lados, os carros passavam na estrada em alta velocidade, continuei andando com um pouco de dor, fui para casa, tomei um banho e adormeci no sofá da sala.
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